sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Amiga.

A Raiva beijou minha boca
Me trouxe a roupa
organizou meu lar...
Me vestiu inteiro, tirou meus pêlos
me levou num passeio a beira mar.

A Raiva se entregou, se despiu
assumiu a culpa
atou meus pés
queimou minha pele, cuidou pra não sangrar

Tratou de me lavar as mãos
antes que pelo chão me fizesse rastejar
Me cuspiu, mas logo pintou os lábios novamente.

"Cante, rápido Cante!"

por:ramon.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Sobre Limite e Fôlego

Enquanto admirava o cartaz do novo filme de Ki-duk Kim, "Fôlego", um Déjà vu incômodo começou a me perseguir... Logo veio a luz aliviante me lembrar a origem de tal sensação: "Limite", de Mário Peixoto. A imagem de homem algemado em torno de uma mulher uniu esteticamente os dois filmes na minha cabeça. 76 Anos separam o antológico filme brasileiro do recente e excelente sul-coreano, e ao assisti-lo percebi como haviam outras coincidências além da "estética das algemas". Ambos são sobre uma mulher angustiada em seu cotidiano, e também utilizam uma série de simbolismos pra abordar o desespero e a angústia humana. A diferença é que enquanto no primeiro a mulher se aprisiona ao homem(e é isso que a imagem representa literalmente), o segundo traz uma protagonista que busca e consegue justamente o contrário, ou seja, a libertação, contraditoriamente unida no abraço algemado de um prisioneiro prestes a morrer. Assim como na "Trilogia do Silêncio", do mestre faixa-preta Bergman, temos que apurar os ouvidos e captar a importância do silêncio (mesmo sendo "Limite", literalmente limitado pela impossibilidade técnica da época) na composição narrativa das obras.
Enquanto os créditos de "Fôlego" começaram a rolar sobre a tela escura, percebi quantas coisas distanciavam tais filmes (escola cinematográfica, origem, ano, etc) e ao mesmo tempo como eles estavam interligados... Pelo menos no meu olhar pretensioso. Nem no Cinema, e nem em qualquer arte, uma obra se constrói por si ou pela da intenção do autor... Acredito que a Arte só ganha uma função direta e prática quando intrometemos nosso olhar, e a contemplamos criticamente. Esses dois filmes ajudam na constatação de como o Cinema de verdade não envelhece, e que o tempo é mesmo só uma invenção, como representado no relógio sem ponteiros de "Limite".

por:ramon.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

"Nós não gostamos de gente!"

"O que você vai fazer no final de semana? Já foi à Ilha dos Prazeres?"

A mulher do século 21 filmada no final da década de 60. Seria esse o fim de Ângela Carne e Osso?! Porra-louca, pretensiosa, chacota, anti-heroína, exemplo de ninguém... Essa é a mulher que Sganzerla nos empurra goela abaixo no escracho cinematográfico “A mulher de todos”. Personagem ímpar na cinematografia brasileira, Ângela é mais que isso, mais do que o contrário da mulher que sorri no comercial de margarina... A profundidade da personagem vai além dos 90 minutos do filme, e sua virulência nos corrompe e se mantém pulsante em busca de interpretações tão interessantes quanto ela. Na verdade a moça é bem direta e se revela logo inimiga Nº1 dos homens, mesmo sendo irremediavelmente dependente dos mesmos. "Eu agora vou me dedicar aos boçais. Homem bacana só dá trabalho". Todas as suas declarações fantásticas participam de uma ciranda de contradições, que servem tanto pra confundir os homens do filme, quanto a nós, meros espectadores, provavelmente seu alvo principal. Além da protagonista, brilhantemente interpretada por Helena Ignez, temos que destacar a melhor coisa Jô Soares inventou de fazer, o hilário marido bitolado de Ângela, Plirtz.

O cinema de Sganzerla é feito de personagens míticos, marginais, que simbolizam sua visão subversiva, cáustica, hilária e maldita da sociedade na qual compactuamos pacificamente. Há a óbvia obrigatoriedade de rever o clássico “O Bandido da Luz Vermelha” para falar mais a respeito, afinal esses dois filmes do diretor se completam em uma continuação descontinuada... Toda essa libertinagem torna o cinema de Sganzerla restrito, hermético, tornando filmes como “A Mulher de Todos” para os poucos que resolvem entregar-se ao seu deleite.

por:ramon

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Umberto D.


Umberto ri...

adoece...

procura por Flick!

Umberto caminha no parque e carrega consigo o seu cão Flick, o único ser que parece o tornar ainda uma alma encarnada nesse mundo.

Ele tenta se matar, mas logo volta a brincar com Flick, e as crianças correm no
parque.

Umberto sou eu solitário, sou eu velho, sou eu feliz... somos todos nós!

domingo, 3 de agosto de 2008

eu também já tive essa vontade...

Gnarls Barkley - "Who's Gonna Save My Soul?"