
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
Em um quarto de uma vida bagunçada

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
Cisne Negro e a crença no orgasmo cinematográfico

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
O sonho da casa vazia
Untitled from Ramon Coutinho on Vimeo.
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
Ressonância (ou sobre a simples dificuldade de perceber)
Eu aqui, fico tonto de tanta coisa capturando minha atenção, carente de sentido. É inútil tentar domar as palavras, quando vêm em revoada, melhor torcê-las do lado avesso. Divago sobre o caminho que percorrem, silenciosas, enquanto esperam pra se derramarem bêbadas, bêbadas de adjetivos.
Uma menina que não conheço me sorri de longe vários sorrisos, me chama pra vê-la dançar num dia nublado na praia. Uma outra menina a quem desejo um bom dia, retribui, e ganha um beijo escondido... Uma terceira me embaralha as ideias, me faz procurar uma estrada pra voltar.
Parece que acabou, mas vou fingir que não. Tem tanta coisa escondida da janela pra fora, mas é só daqui que as enxergo.
por:leo coutinho
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
um testemunho do distanciamento
Quis filmar seu redor, só...
Demorou duas semanas até achar que aquilo tinha algum sentido. Foi em seu último dia que acordou antes do sol e saiu com uma câmera velha. Lentamente foi pescar imagens daquele lugar que não sabia quando voltaria a ver. Começou pela janela, daí pra grama, pros próprios pés, folhas molhadas soltas no ar, ruídos aleatórios fundamentais pro início de qualquer último dia.
Apenas através do aparecimento gradual da luz as coisas pareciam realmente revelar-se, talvez por aquele olhar ter ganhado também aos poucos uma pequena intimidade para que daí sim poder mais que ver, reparar, conceder um pedaço a mais de memória, na verdade extensão artificial onde a cena guardada em frames poderia chegar num futuro próximo a outros, olhos, impressões.
Descobriu um lago ali logo atrás onde jogou uma pedra no meio e esperou que as pequenas ondas formassem um grande alvo como se a espera do apontar certeiro da lente da câmera. Ficou pensando depois do click que poderia ser ele mesmo feito daquilo - uma imagem besta de 13 segundos – um lago qualquer que não sabia ao certo a própria profundidade, reagindo lento a uma pedra largada em seu meio.
Ia seguindo assim atrás de pequenos movimentos que nada tinham de realmente extraordinários, porém tradutores, como sintomas do que inconscientemente sentia. Um ciclista distante, uma casinha fechada... Filmou também três cães sujos caminhando juntos como se pra um encontro marcado, parando e cheirando, sempre se reagrupando. Um último cão pardo mais desinteressado no improvável encontro, se distanciando dos outros de repente percebeu (diferente do resto) aquela presença de olhos cansados... Começou a segui-lo, ele, a câmera. O cachorro agora apartado do grupo parecia quase um guia, melhor, também personagem daquela história esquisita, mesclada sob a ilusão dos sonhos, memórias e mais um pouco de tudo que não se consegue palavras pra se organizar.
Toda essa parafernália de pequenas ações captadas foram devidamente salvas e transferidas, convertidas, editadas, no entanto não tardaram a seguir a lógica que rege toda essa fatídica ordem... Em outro dia, que ainda não se sabe qual, se perderam, esquecidas sem qualquer cerimônia, viraram enfim ausência, sem futuro próximo a outros olhares. Corroídas em som e vídeo surgem agora apenas depois que tapados os olhos - sob a proteção de Mnemósine - inventando diálogos em outros formatos, caminhos.
“Deixemos que tudo seja simplesmente aquilo que em essência veio ao mundo cumprir como principal função... ir-se, passar.”
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
a brecha antes do verde
Cinco da tarde, trinta e sete carros, quatro ônibus e sete motos param no sinal vermelho que só voltará a ser verde depois de cinquenta e cinco segundos. São seis os veículos menores que tem mais de uma pessoa em seu interior. Cada uma dessas enquadradas em suas posses diante das poses em pequenos espelhos, reflexos turvos, sombras quadradas. São rostos sós em meio a multidão de metal em volta? Os carros populares no Brasil tem aproximadamente 4 metros de comprimento e um e setenta de largura, cabendo em média cinco pessoas em seus bancos de espuma. As pessoas sentem, mas os números que importam. Números, não pessoas. A cidade não acredita em gente, mas nas numéricas forças mecânicas/elétricas encobertas de metal com design moderno do último ano.
O vento é leve e se desloca sob as mangas rosas vendidas no sinal por pais de família que pegam ônibus pra chegar até aquele sinal de cinquenta e cinco segundos. Pedro tem carro e se sente mais feliz com isso. Recusou as mangas. Tento atravessar a rua, mas minha posição parece alvo e apenas observo a distância que tenho que percorrer até a faixa própria para transeuntes. Me aproximo dela, mas o outro lado ainda se mostra longe mesmo pra passos apressados. Sigo dentro dessa brecha, período de tempo misericordiamente concedido aos desmotorizados quase inválidos por sua condição de impotência e espera. Avelino passa uma pequena toalha rosada em sua testa suada antes de voltar a acelerar o ônibus enquanto Joyce se arrasta entre as pessoas pra descer no próximo ponto. Um pouco a baixo carros parados, travas elétricas, alarme, vidros fumê cobrindo esses pequenos mundos de falsa segurança, que logo voltarão a acelerar lentos entre si.
Quatro, três, dois...
A cena deveria cortar aí pra aquele dia em que o vento se deslocava sob meu rosto enquanto pedalava leve pela avenida próxima de casa. Resolvi seguir, mesmo depois do destino, como se a bicicleta tivesse personalidade maior que qualquer preguiça ou preocupações de fim de tarde, paralisando também qualquer coisa acima de vinte quilômetros por hora. Haveria essa cena, de tão incomum, que ser registrada e do alto, na memória da moça num oitavo andar que acha válido aquilo ficar em si, antes de voltar a limpar móveis que não são seus. Passando uma flanela úmida de álcool sobre a mesa ela quis repetir aquele movimento distante de uma bicicleta descendo uma rua parada, simplesmente sem pressa pra nada. Lembrou de um dia da sua infância, quando num parque próximo de casa também se deixou levar assim por sua bicicleta em oito longas voltas, contadas disciplinadamente a partir do poste de luz quebrada. Lenta arrasta agora o pano até o fim da mesa de um modo estranho, pelo menos pra quem não sabe daquelas memórias unidas, das suas vontades, daquela angústia calada de perceber o número que é. Tomou pra si aquele brecha pra sentir de novo a escolha do movimento, mesmo quase inútil, ilusório, mínimo que seja.
Um.
Verde.