sexta-feira, 29 de agosto de 2008
Amiga.
Me trouxe a roupa
organizou meu lar...
Me vestiu inteiro, tirou meus pêlos
me levou num passeio a beira mar.
A Raiva se entregou, se despiu
assumiu a culpa
atou meus pés
queimou minha pele, cuidou pra não sangrar
Tratou de me lavar as mãos
antes que pelo chão me fizesse rastejar
Me cuspiu, mas logo pintou os lábios novamente.
"Cante, rápido Cante!"
por:ramon.
segunda-feira, 25 de agosto de 2008
quarta-feira, 13 de agosto de 2008
Sobre Limite e Fôlego
por:ramon.
terça-feira, 12 de agosto de 2008
"Nós não gostamos de gente!"
A mulher do século 21 filmada no final da década de 60. Seria esse o fim de Ângela Carne e Osso?! Porra-louca, pretensiosa, chacota, anti-heroína, exemplo de ninguém... Essa é a mulher que Sganzerla nos empurra goela abaixo no escracho cinematográfico “A mulher de todos”. Personagem ímpar na cinematografia brasileira, Ângela é mais que isso, mais do que o contrário da mulher que sorri no comercial de margarina... A profundidade da personagem vai além dos 90 minutos do filme, e sua virulência nos corrompe e se mantém pulsante em busca de interpretações tão interessantes quanto ela. Na verdade a moça é bem direta e se revela logo inimiga Nº1 dos homens, mesmo sendo irremediavelmente dependente dos mesmos. "Eu agora vou me dedicar aos boçais. Homem bacana só dá trabalho". Todas as suas declarações fantásticas participam de uma ciranda de contradições, que servem tanto pra confundir os homens do filme, quanto a nós, meros espectadores, provavelmente seu alvo principal. Além da protagonista, brilhantemente interpretada por Helena Ignez, temos que destacar a melhor coisa Jô Soares inventou de fazer, o hilário marido bitolado de Ângela, Plirtz.
O cinema de Sganzerla é feito de personagens míticos, marginais, que simbolizam sua visão subversiva, cáustica, hilária e maldita da sociedade na qual compactuamos pacificamente. Há a óbvia obrigatoriedade de rever o clássico “O Bandido da Luz Vermelha” para falar mais a respeito, afinal esses dois filmes do diretor se completam em uma continuação descontinuada... Toda essa libertinagem torna o cinema de Sganzerla restrito, hermético, tornando filmes como “A Mulher de Todos” para os poucos que resolvem entregar-se ao seu deleite.
sexta-feira, 8 de agosto de 2008
Umberto D.

Umberto ri...
adoece...
procura por Flick!
Umberto caminha no parque e carrega consigo o seu cão Flick, o único ser que parece o tornar ainda uma alma encarnada nesse mundo.
Ele tenta se matar, mas logo volta a brincar com Flick, e as crianças correm no
parque.
Umberto sou eu solitário, sou eu velho, sou eu feliz... somos todos nós!
domingo, 3 de agosto de 2008
domingo, 27 de julho de 2008
rETALHOS
Que o instante de te ver
Custou tanto penar
Não vou me arrepender
Só vim te convencer
Que eu vim pra não morrer
De tanto te esperar
Eu quero te contar
Das chuvas que apanhei
Das noites que varei
No escuro a te buscar
Eu quero te mostrar
As marcas que ganhei
Nas lutas contra o rei
Nas discussões com Deus
E agora que cheguei
Eu quero a recompensa
Eu quero a prenda imensa
Dos carinhos teus."
Antes do início da próxima música ela desligou o mp3, queria continuar com aquela, mas
Desceu no ponto seguinte quase relutante, a viagem estava boa. Percorrer os olhos pela cidade parecia deixá-la renovada, como se a velocidade pudesse subverter toda aquela insensatez atroz e corrosiva. Observava, agora devagar, a multidão que lhe envolvia, e que em outros momentos certamente lhe deixaria irritada. Seu olhar cuidadoso se perdia nos rostos, lojas, conversas, até paralisar num velho que parecia, assim como a árvore que repousava suas costas, emergir do concreto do passeio público. Com as pernas cruzadas de maneira engraçada e com um minúsculo resto de cigarro entre os dedos, o moribundo mendigo estava à deriva. Seu olhar envolto de vazio só encontrou maior justificativa ao seguir o cachorro que vinha em sua direção. Sua mão pousou na cabeça do animal e por um segundo o velho sorriu... Ao organizar aquele testemunho, ela lembrou do seu escritor preferido: "um leve momento de beleza invisível me tocou os olhos, e eu vivo, respondi, e respondo...”.
Nos segundos seguintes ela se deu conta que estava ali fazendo parte de toda a cena, sendo também o cachorro, o velho, o olhar...
e música "Sem Fantasia" - Chico Buarque