sexta-feira, 16 de maio de 2008

a canção, o poema, a risada...


Casas simples, bonitas montanhas,
entre elas um bêbado tropeça nos
tijolos enquanto canta, e canta...
A cena engraçada faz rir os que
passam, e do outro lado da rua,
surge uma frase pra completar a
cena...
o velho senhor recita de
sua varanda rosa e tal frase se
mistura com o aquele canto embriagado...
Não se pode enxergar os rostos
dos personagens, apenas a canção,
o poema, a risada...

por:ramon.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Cão sem dono


"Um embrião cansado invade a escuridão da caverna procurando uma saída...
escuto o eco rebatido nas paredes da carne,
refletindo no olho

O desespero da solidão

A preguiça é o sono dos mortos

Minha euforia necessita de calma,

e minha calma, de euforia
Que se foda o resto do resto
da sobra do que resta
O restante é o que eu quero
O amor do instante é o instante
em que estamos perto da batida perfeita
Os olhos são o início do real

Meu cigarro tem um tempo de vida
Minha vida necessita de um cigarro

O que fazer? O que comer?
Será que minha mão ta certa?

Definitivamente não

Preciso de uma coração que bata descompassado

sem ritmo, sem melodia

Não quero a batida perfeita
quero o descompasso
Me dê uma pista, uma lágrima,
mas me dê algo."

Ciro, "Cão sem dono" -
Beto Brant e Renato Ciasca (2007)

terça-feira, 29 de abril de 2008

sexta-feira, 18 de abril de 2008

O Sorriso de Marx

A velha vista dos prédios altos ao meu redor sempre me intrigou, afinal as janelas e varandas parecem sempre vazias, dando a estranha impressão de que não são habitadas... Praticamente nunca vi a cara das pessoas que vivem ao lado, a não ser por sombras e vultos nas janelas e corredores. As vezes tal bizarra convivência condominial é adocicada por alguns cumprimentos perdidos no meio do playground. Numa noite qualquer observava a coreografia das luzes da TV que acontecia entre o vizinho ao lado e o de baixo, elas piscavam e coloriam num sincronismo exato as solidões, os individualismos norteados pelo controle remoto. Essa imagem parecia sintetizar nossa “liberdade”: um fantasma que nos rodeia constantemente em um enorme vazio que não é notado, pensado... E assim de repente numa fila supimpa de supermercado, a gente pode ouvir o entusiasmo de uma moça de bolsa vermelha ao tagarelar sobre as vantagens do novo celular, que teve que ser urgentemente adquirido após um assalto ocorrido no Vale do Canela. Fiquei segurando uma risada carregada de conflito, afinal o tal furto parecia ter sido mais fonte de alegria do que de tristeza. Enquanto isso nesse mesmo corredor, como se já não bastasse, ia temendo um mosaico de revistas coloridas que iam me acompanhado com olhares sedutores, frases arrebatadoras: “Como ficar com Unhas de Novela”; “Gildásio ameaça Celeste na Casa de Ferraço!”... Uau, carambolas verdes!! O lance ficou mesmo bizarro mesmo quando me deparei com uma estante carregada com Kafka, Oscar Wilde, e nada mais nada menos que Marx, Karl Marx. É, “O Manifesto Comunista” em edição pocket... Acho que o choque me levou a fantasiar um leve riso na foto clássica do velho barbudo, mas acho que era eu que estava transferindo pra Marx aquele meu riso anteriormente contido, mas que era um sorriso do tipo “sem-graça”, seguido por uma confissão: “Eu também não to entendendo essa orgia doida porra!”
Alucinações marxistas a parte, acho que há uma porção dessas cenas em cada esquina, prédio ou shopping, e não dá pra desviar o olhar, seria muita irresponsabilidade, acomodação acumulada. Me parece que os vizinhos fantasmas, a moça de bolsa vermelha ou o ladrão do celular não estão sequer catando coquinho pra isso. A reprodução desse caos é desejada o tempo todo por eles! E custa mesmo pensar isso?! Dói escrever?! Vale a pena?! Leite com manga?! Confesso que eu me pergunto tudo isso com uma vontade de xingar a mãe do açougueiro... Ainda bem que esse niilismo todo é passageiro, porque eu sei que há por aí muita gente boa interessada em mudar as coisas, e que podemos nos aproximar com por outras luzes, por outros corredores... Né?!

POr:ramon

segunda-feira, 31 de março de 2008

Manifesto dadaísta

“As borboletas de5 metros de comprimento se partem como os espelhos, como o vôo dos rios noturnos sobem como fogo até a via Láctea...”

Tristan Tzara

“Para muitas pessoas o mundo é tão incompreensível quanto o coelhinho que o mágico tira de uma cartola que, há poucos instantes, estava vazia...”

Jostein Gaarder

“Tudo que precisamos para sermos filósofos é a capacidade de admirar o mundo”

Jostein Gaarder

Capacidade de admirar o mundo!
Onde é que foi parar a sua capacidade de admirar o mundo?
As borboletas de 5 metros de comprimento que se partem como espelhos estão em extinção!
Os rios noturnos não são capazes de subir como fogo até a via Láctea!
Vocês cresceram e perderam o interesse pelas suas próprias vidas.

Dadá sozinho não é nada, não cheira a nada; não é nada, nada, nada.
Assim como vocês quando longe de seus grupos: nada.
Vocês não vêem? Roubaram suas identidades e vocês não foram prestar queixa! Transformaram vocês em uma massa, uma massa que tem o mesmo sabor de dadá: nada!
Assim como seus esforços: nada.
Vocês foram trocados por aquilo que inventaram, não percebem? Vocês não existem mais. Agora o que existe é apenas máquina. Vocês sem as máquinas valem o mesmo tanto de dadá: nada!
Assim como a noção que vocês têm do mundo: nada.
Vocês não sabem de nada, nada, nada! Engolem o que lhe dizem, nem sabe o significado de imparcialidade. Você nem sequer presta atenção no que eles dizem. E eles não dizem nada!

E no que você acredita?
No que você toca?
Mas você não toca em nada.
Tudo te repele.
E nada te atrai.
E vocês inventaram as máquinas.
E as máquinas inventaram o tédio
E agora te prometem entretenimento!
E agora eles destroem a nossa arte.
E você acha que chegou ao fim do tédio...
Mas não...
Por que a observar seu próprio cotidiano é algo que te atrai?

Vocês estão todos acusados: levantem-se! De pé, como fariam para ouvir a Marselhesa ou Deus Salve o Rei! Mas não é para ouvir as nossas palavras, pois elas parecem soar como nada para vocês.
Vejam o que lhes foi privado durante todo esse tempo!
Esconderam-lhes as verdadeiras artes!
As verdadeiras artes são vocês!
Somos nós.

sexta-feira, 7 de março de 2008

Pela Janela:

Um bolo e convidados

Privilegiado pelo anonimato
Retiro um brilho do olho
E um incômodo da mente,
Como que perguntasse
Se tinha dado em jornal
ou carro de som, o guri:
Nunca tinha ouvido
um "parabéns" vindo de estranho...

A não ser de um palhaço
Contratado há um ano
Para animar os que presenteavam
com um helicóptero que matava gente

por: pauloRIOS

sábado, 5 de janeiro de 2008